O reganho de peso após a cirurgia bariátrica é um dos maiores medos dos pacientes, mas é importante entender que a obesidade é uma doença crônica. A cirurgia é uma ferramenta poderosa, porém, com o passar dos anos, o corpo pode encontrar mecanismos para estabilizar ou recuperar o peso. Recentemente, surgiu uma dúvida comum no consultório: medicamentos modernos, como a Tirzepatida (Mounjaro), podem ser usados por quem já operou?
A resposta curta é sim, mas com critérios rigorosos. A Tirzepatida atua de forma inovadora, simulando dois hormônios naturais do nosso corpo (GLP-1 e GIP) que controlam a saciedade e a forma como processamos o açúcar. Para o paciente bariátrico que voltou a engordar, ela pode atuar “recalibrando” o centro da fome no cérebro, que muitas vezes deixa de responder apenas à restrição física feita pela cirurgia.
No entanto, o uso deste medicamento no pós-operatório deve focar em pontos específicos:
- Avaliação Metabólica: É preciso entender se o reganho é por falha na absorção, dilatação do estômago ou questões hormonais.
- Ajuste de Dose: Pacientes bariátricos têm uma anatomia digestiva diferente, o que pode alterar a sensibilidade aos efeitos colaterais gástricos da medicação.
- Foco na Massa Magra: Como o Mounjaro é potente, o acompanhamento deve garantir que a perda de peso seja de gordura, e não de músculos, o que é um risco maior em quem já passou por uma bariátrica.
O uso da “caneta” não substitui a revisão da dieta e dos hábitos, mas serve como um braço direito tecnológico para tratar a recidiva (retorno) da obesidade de forma eficaz e segura.
As informações acima têm finalidade educativa. Cada pessoa é única e pode precisar de orientações específicas. Se você apresenta sintomas ou deseja um diagnóstico preciso, agende uma consulta.
Dr. Vitor Mayer de Moura
Cirurgia do Aparelho Digestivo
CRM 174170 | RQE 104264